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| Entrevista
de Mariana Medici, para o site Neuronio.com |
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Mariana Medici queria porque queria viajar para os
Estados Unidos. Até trancou a matrícula na faculdade de comércio
exterior que cursava em Campinas, mas só tinha dinheiro para passar
um mês no exterior, se fosse com um programa de intercâmbio normal.
Lendo uma revista de turismo, soube do Work Travel USA,
programa em que jovens do mundo inteiro trabalham legalmente em estações
de esqui nos EUA. Ficou interessada e foi atrás. Durante quatro meses
ela trabalhou em Big Sky, no estado de Montana, conheceu muita gente
legal, ganhou um dinheiro e melhorou seu inglês. De quebra, ainda foi
contratada pela Interlang, empresa responsável pelo programa no
Brasil, quando voltou de viagem.
Leia abaixo a entrevista que Mariana, sempre muito empolgada, concedeu
ao Neuronio.
Como você ficou sabendo do programa?
Eu já tinha trancado matrícula numa faculdade de comércio exterior
em Campinas, porque queria viajar para o exterior de qualquer maneira.
Eu vi o programa em agosto do ano passado, estava procurando uma forma
barata de ir para os EUA, porque só tinha dinheiro para ficar um mês,
nos programas normais de intercâmbio. Sempre fui ligada na área de
turismo, e quando estava lendo uma revista de viagem fiquei sabendo
sobre o programa. Liguei, pedi informação e me interessei mais
ainda. O que achei interessante é que eu poderia aprender inglês,
ganhar uma graninha e viajar, né?
E o que você fez depois?
Me inscrevi, e não é concurso, aquele negócio de "se você for
escolhido". No final de outubro apresentaram a minha proposta de
emprego: onde eu ia trabalhar, com o quê, quem seria meu supervisor,
o salário e o dia de início. Recebi também dicas de quanto dinheiro
levar para o primeiro mês e o formulário IAP-66, para pedir o visto.
Embarquei, fiquei dois dias em Miami, só que agora é em Nova Iorque,
tendo um curso sobre leis americanas, o que podia e não podia fazer.
Eu, por exemplo, não podia beber, porque tinha 19 anos e lá, só com
21. Encontrei um grupo de outros estudantes, gente de toda parte do
mundo, e fomos para Montana, na divisa com o Canadá, onde ficava a
estação de esqui.
Como era na estação?
Trabalhava no hotel da estação, eu e um bando de jovens do mundo
inteiro: eram 500 empregados na estação, e ela não é das maiores.
Mais ou menos trinta eram estrangeiros. Eu trabalhava oito horas por
dia, e tinha folga duas vezes por semana. E ainda tinha um sistema
rotativo de trabalho, quer dizer, eu podia trabalhar das 8h às 16h,
às vezes das 16h às 24h. Então sobrava muito tempo para esquiar.
Quais são os gastos lá?
Comida e moradia, antes de tudo. Tem um desconto nas refeições, eu
tinha 50% de desconto, mas gastava em torno de US$300,00 por mês. Com
o alojamento, bem esquema de república, duas pessoas por quarto, iam
US$200,00. Eu
podia escolher entre banheiro privativo e coletivo. Fiquei com o
privativo.
E o pessoal que trabalhava na estação era gente boa?
A gente tem uma idéia de que norte-americano é frio, e tal. Mas eu
acho que jovem é jovem no mundo todo, e a galera era
muito gente boa, desencanada. Fiz muitos amigos americanos, que até já
me chamaram para voltar e visitar eles.
Você melhorou muito o nível do seu inglês?
Ah, bastante, melhorou muito, mesmo. Também, quatro meses é um bom
tempo para desenvolver o inglês, porque eu fiz um
curso durante um bom tempo da minha vida. Lá eu pude praticar tudo o
que aprendi. Nas primeiras duas semanas, três semanas, dava até dor
de cabeça, não agüentava mais ouvir inglês. Não conseguia
entender tudo porque eles falavam normalmente, claro, só que era
muito rápido e eu confundia um pouco. Só que depois dá um "clic"
e você começa a entender.
O que você fazia nos dias livres?
Eu morava a cinco minutos do trabalho, era tudo muito concentrado, uma
vila cheia de gente. Acordava e ia tomar um café. Na praça,
encontrava o pessoal de folga, conversava um pouco. Depois, a gente ia
para o teleférico, esquiava, voltava e ficava batendo papo.
Como eram as baladas?
Trabalhava de dia, e à noite eu saía nos barzinhos. A vida noturna não
é o forte, porque todo mundo está lá em função do esqui ou do
snowboard, mas dá para curtir um bar, pelo menos.
E como era o trabalho?
Não era trabalho administrativo: trabalho de recepção, cozinha e de
bar, por exemplo. Acordava, ia para o meu departamento e via em que área
eu estava. Às vezes eu tinha que ficar andando pelo saguão do hotel,
cuidando da arrumação dos móveis. Por exemplo: um hóspede fica
sentado perto da lareira, tomando um conhaque. Então ele se arruma,
puxa uma cadeira, coloca o pé em cima de uma mesinha que ele ambém
puxou. Depois, vai embora e deixa desorganizado. Eu ia lá e arrumava
as coisas, pegava o copo.
Também tem o seguinte, o serviço é leve mas a cobrança é pesada.
Você tem que ter disciplina, não pode pisar na bola. Cumprir os horários
é fundamental, e se faltar tem que ter uma razão convincente. Já
aconteceu de uma pessoa falar que estava passando mal e ir esquiar. O
patrulheiro encontrou e a situação ficou feia, ela tomou advertência,
quase foi despedida.
O que você aconselha levar de roupa?
Consegui passar os quatro meses com duas malas de roupa. Levei blusa
de lã, calça jeans, tênis e uma jaqueta que esquenta bastante. Nada
de especial, são roupas que a gente usa nos dias bem frios do inverno
de São Paulo, por exemplo. Só não pode esquecer de levar uma
jaqueta que isola bem o corpo, muito menos de levar gorro, luva e
cachecol.
Se você quiser roupa de esqui, compra lá, mas não nas estações,
porque é muito caro. Nada de roupa social, ninguém usa e não tá
nem aí.
O que você fez depois que terminou o período de trabalho?
Bom, depois do trabalho tem um mês de visto para passear. Eu peguei
um ônibus e fui para Nova Iorque, onde fiquei uma semana passeando.
Aí voltou para o Brasil...
É, voltei super empolgada, fui na Interlang falar que tinha gostado
muito. Gostei tanto que ficava fazendo a divulgação do programa para
os meus amigos. Aí eles acabaram me contratando para trabalhar lá.
[ Leia também:
depoimentos de participantes do programa Work & Travel]
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